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Dilma depende da Lava Jato e das ruas

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Dependerá do sucesso das manifestações convocadas para este domingo e dos desdobramentos da Operação Lava Jato o futuro das iniciativas para tirar do poder a presidente DIlma Rousseff. A semana se encerra com um quadro muito mais favorável a ela e, para manter a avaliação no campo das probabilidades, sua saída do poder, via impeachment ou renúncia, voltou a se tornar o cenário menos provável.

Os dois caminhos que poderiam levar à saída dela institucionalmente se tornaram mais difíceis. Ao dar mais tempo para o governo oferecer explicações sobre suas contas do ano passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) revela uma disposição menos belicosa do que antes. Vários ministros do TCU estão ligados a caciques do PMDB que agora apoiam Dilma, como o presidente do Senado, Renan Calheiros.

Depois da votação no TCU, ainda que as contas sejam rejeitadas, teriam de enfrentar um caminho mais duro no Congresso. Em uma decisão proferida ontem, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso atribuiu a votação a uma sessão conjunta das duas casas, Câmara e Senado. Isso traz força à posição de DIlma. Se tivesse de enfrentar uma votação em separado, a ação de sua nêmese, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, poderia levá-la a uma derrota que desembocaria em um processo de impeachment. Agora, o cenário é mais nebulosos.

É importante notar que, para que ela saia do poder por essa via, seriam necessários três derrotas sucessivas: no TCU, na votação sobre as contas no Congresso e no próprio processo de impeachment. Ainda que ela tivesse 50% de chance de perder cada uma dessas fases – e hoje essa chance é bem inferior a isso, graças à ação de Renan e do PMDB –,  a probabilidade de impeachment via reprovação da contas ainda seria inferior a 15%.

O outro caminho para a saída de Dilma seria a impugnação de sua candidatura pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde tramitam oito pedidos distintos dessa natureza. Numa sessão confusa ontem, o ministro Luiz Fux pediu vista de um dos processos por tempo indeterminado. O TSE, com sete ministros, está dividido sobre o andamento das ações. Dois são claramente favoráveis a investigar a campanha; dois são contrários. A decisão caberá aos demais três. Qualquer que ela seja, ainda tomará tempo. No atual cenário, o tempo passa a favor de Dilma. À medida que a tensão esfria, a economia terá tempo de esboçar reação, ainda que tímida. Isso tende a aliviar a popularidade da presidente e a tirar força da disposição dos ministros para levar adiante as ações no TSE. Se a saída via votação no Congresso se tornou improvável, a impugnação da chapa Dilma/Temer tem probabilidade ainda menor na atual conjuntura.

A articulação de Renan, do vice-presidente Michel Temer e companhia conseguiu tirar Dilma das cordas. Mas ainda há dois fatores que podem atrapalhar sua vida. O primeiro são as investigações da Operação Lava Jato. Elas chegaram perto do Planalto ontem pela primeira vez, ao atingir um advogado ligado ao ex-ministro Paulo Bernardo e à sua mulher, a senadora Gleisi Hoffman. Delatores, como o empreiteiro Ricardo Pessôa, já afirmaram que dinheiro sujo do petrolão foi parar na campanha de Dilma. Se mais provas vieram à tona nas investigações, sua vida nos processos que tramitam no TSE se tornará mais difícil.

O segundo fator é o mais importante. É aquilo que costumamos chamar de “voz rouca das ruas”. Os níveis irrisórios de popularidade de Dilma são a principal força que dá sustentação àqueles que querem tirá-la do poder, como Cunha. As manifestações convocadas para domingo darão um termômetro desse sentimento. Se mais gente for às ruas agora do que nos protestos do primeiro semestre, estaremos diante de um cenário ainda complicado para ela. Se a percepção for de esvaziamento, Dilma terá toda a probabilidade de terminar seu governo.

Nada disso significa que será um bom governo. Mesmo que a crise política seja debelada, a situação econômica continuará lastimável e ainda deverá assombrar o Brasil por um bom tempo. Se conseguirmos pôr um prática uma fração da Agenda Brasil acertada entre Dilma e Renan, ainda pode ser que a crise tenha funcionado para o bem. Se não, as tensões continuarão, e operadores hábeis como Cunha saberão se aproveitar delas mais à frente.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Sempre dando um jeitinho esse povo do tcu…alguns desses bacanas..phd em direito tributário farão com que as “”pedaladas” de bilhões reais de anos atrás, sejam consideradas normais….estudam tanto, que eles alteram até básico da contabilidade…pizza ….tamo na roça….só Chapolim pra nós defender…

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