Empresário diz que emprestou R$ 10 milhões para ex-presidente da ALMT

Empresário diz que emprestou R$ 10 milhões para ex-presidente da ALMT

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O empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, declarou nesta segunda-feira (17), em depoimento na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, que emprestou cerca de R$ 10 milhões ao ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), José Riva. O empresário foi a primeira testemunha ouvida na fase de instrução da operação Imperador, deflagrada em 2015, e que investiga o desvio de R$ 62 milhões através da compra simulada de material de expediente para a ALMT. Riva foi denunciado pelo Ministério Público (MP) de liderar o esquema fraudulento. OG1 procurou a defesa do ex-parlamentar, mas não obteve respota.

Além de Riva, outras 14 pessoas  foram denunciadas na ação, incluindo a mulher dele, servidores públicos e empresários. De acordo com a denúncia MP, o grupo fraudou contratos licitatórios visando a aquisição simulada de material de expediente, de consumo e artigos de informática.

Os materiais comprados nunca foram entregues – embora servidores da ALMT tenham atestado notas de recebimento e a Casa de Leis tenha feito os pagamentos. Em um ano, segundo MP as empresas venderam mais de 30 mil toners para a ALMT, que na época tinha somente 150 impressoras.

Em depoimento, Júnior Mendonça, proprietário de uma empresa de fomento mercantil e delator na operação Ararath, disse, que passou, a fazer negócios com Riva em 2005. Segundo ele, o ex-parlamentar o procurou pessoalmente para requisitar um empréstimo de R$ 2 milhões.

“Era a primeira vez que eu fazia acordos com políticos, então pedi uma garantia que não levaria calote e ele passou uma casa para o meu nome”, afirmou.

Depois disso, os empréstimos passaram a ficar mais frequentes. “Ele pedia R$ 500 mil, R$ 1 milhão por vez”, declarou o empresário. Ao todo, Júnior Mendonça afirmou que emprestou R$ 10 milhões ao ex-deputado e que, após o fim das relações comerciais, Riva ficou devendo dinheiro para ele. As negociações entre os dois foram feitas de 2005 e 2010.

Os empréstimos, segundo o empresário eram feitos através de depósito bancários, mas na maioria das vezes por meio de cheques. Júnior Mendonça afirmou que desconhece a motivação dos empréstimos, mas que em algumas reuniões o ex-deputado dizia que “tinha que atender necessidades com o sistema e compromissos com a imprensa”, disse.

O esquema
Os crimes teriam ocorrido entre 2005 e 2009, resultando na época em prejuízo aos cofres públicos de R$ 42,2 milhões. Corrigido, o montante é de R$ 62,2 milhões. Apontado como líder do suposto esquema, Riva ocupava o cargo de primeiro-secretário e, por vezes, o de presidente. Ou seja, era o gestor dos recursos financeiros do legislativo mato-grossense.

O Gaeco afirma que teve dificuldade em conseguir documentos na ALMT e que teria sido informado que inúmeros deles teriam sido destruídos como cumprimento de uma norma interna. “Estes exemplos demonstram, sem sombra de dúvidas, o poder ainda exercido pelo denunciado, que não medirá esforços em ocultar/falsear documentos, além de exercer ‘pressões’ indevidas sobre as testemunhas arroladas”, diz trecho da denúncia.

Ainda de acordo com o MPE, aproximadamente 80% do dinheiro desviado foi sacado na boca do caixa e repassado a Riva. O dinheiro transitava nas contas bancárias das pessoas jurídicas fornecedoras do material para ocultar o retorno dessa verba para as mãos do ex-deputado, segundo o Ministério Público.

André Souza do G1 MT/Foto: Maurício Barbant/AL-MT

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