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Mercedes-Benz põe 7 mil em licença e paralisa fábrica no ABC

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Cerca de 7 mil funcionários da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP) entram de licença remunerada nesta sexta-feira (7). Toda a produção de caminhões, ônibus e agregados na fábrica do ABC ficará paralisada até 21 de agosto.

Segundo a montadora, a paralisação temporária das operações, que já havia ocorrido neste ano, é necessária para adequar a produção à queda do mercado. Entre janeiro e julho, as vendas de caminhões recuaram 45%, e as de ônibus, 28,9%, segundo dados da Anfavea.

Na unidade, a Mercedes desligou 160 trabalhadores em janeiro e mais 500 em maio, e novos cortes não estão descartados. A Mercedes-Benz afirma que ainda há um excedente de 2 mil funcionários no local (sendo que 250 deles já estão de lay-off, a suspensão temporária de contratos). A fábrica emprega atualmente em torno de 10 mil pessoas.

“Está em estudo um ajuste, a partir de 1 de setembro, no nosso quadro de pessoal de colaboradores horistas e mensalistas”, afirmou a assessoria da Mercedes-Benz, em nota. Além disso, um Plano de Demissão Voluntária (PDV) está aberto até 14 de agosto.

Caso novas demissões sejam confirmadas, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC já acena com possibilidade de greve. A entidade afirma que o clima na fábrica é “tenso” e compromete a saúde dos trabalhadores.

Impasse
A Mercedes-Benz desligou 160 trabalhadores em janeiro e mais 500 em maio na fábrica de São Bernardo. Cerca de 300 demitidos acamparam em frente à fábrica durante 26 dias de junho, pedindo a reversão da medida.

As barracas foram desmontadas depois que uma proposta, negociada entre sindicato e montadora, foi rejeitada pela maioria dos trabalhadores que continuam atuando na Mercedes. A negociação dava estabilidade para todos por 1 ano, mas reduzia a jornada de trabalho em 20% e, os salários, em 10%.

A proposta previa a substituição do acordo pelo que viria a ser o Plano de Proteção ao Emprego (PPE), anunciado dias depois da votação. “Lamentavelmente, a proposta foi rejeitada em votação secreta por 74% dos colaboradores da fábrica”, destacou a Mercedes-Benz.

Desemprego
Além da Mercedes-Benz, a General Motors (GM) demitiu 150 funcionários da fábrica de São Caetano do Sul, também no ABC Paulista. Outros 140 foram desligados da Ford, em Taubaté (SP), em março.

A Volkswagen chegou a anunciar 800 cortes, mas voltou atrás após greve de 11 dias na unidade de São Bernardo do Campo. Um acordo foi fechado para dar estabilidade aos funcionários da planta até 2019, mas não evitou que 2.357 deles entrassem em lay-off de 5 meses no começo de julho.

Segundo a associação dos fabricantes, cerca de 1,2 mil vagas foram fechadas entre junho e julho. Em 1 ano, o número de empregados diretos do setor encolheu 9,7%, para 135,7 mil pessoas – nível pouco acima ao de julho de 2010 -, enquanto o número de vendas voltou ao patamar de 2006.

No último dia 31, ainda de acordo com a Anfavea, havia outros 7 mil trabalhadores em férias coletivas ou lay-off.

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