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MT: Crise econômica pode levar 10 empresas a pedir recuperação judicial ainda em 2015

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A crise econômica do Brasil pode levar cerca de 10 empresas do setor industrial instaladas em Mato Grosso a solicitar pedido de recuperação judicial. Nos últimos 12 meses a indústria em Mato Grosso registrou um estoque negativo de empregos de 6.352 postos, sendo no mês de maio 1.754. Na visão da indústria mato-grossense reduções de ICMS da energia elétrica e combustível, além de logística e incentivos fiscais são os grandes atrativos para novas empresas aportarem no estado, que nos últimos anos só vem perdendo oportunidades.

Levantamento do Cadastro-Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado na última semana pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), revela que Mato Grosso registrou nos últimos 12 meses um estoque negativo de 10.582 postos de trabalho, ou seja, mais demitiu que contratou. Deste 6.352 estão na indústria de transformação e 7.803 na construção civil. Ao se analisar apenas os dados de 2015 verifica-se que apenas em maio a indústria desligou 1.754 pessoas a mais que contratou, sendo a líder em demissão no mês que registrou 1.924 desligamentos a mais que contratações.

De acordo com o presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Jandir Milan, ao contrário do que se pensava a crise econômica brasileira chegou cedo em Mato Grosso. Ele destaca que quando o país entrou em crise no ano de 2008 a situação só foi chegar ao estado dois anos depois.

“Agora esse ano realmente a crise nos surpreendeu. Chegou ao estado. Está instalada já. Nós estamos aí com muitos problemas e desemprego muito alto, tanto na indústria como no comércio. Isso reflete em toda a situação econômica do estado e nós estamos muito preocupados”, comenta.

Somente em junho, como o Agro Olhar comentou, já há informações em Sinop da paralisação das atividades frigoríficas de abates e processamento de carnes do Grupo Frialto, gerando a demissão de aproximadamente 700 funcionários. Nesta semana, como o Olhar Jurídico revelou, as empreiteiras Três Irmãos Engenharia e Ltda e Valor Engenharia Ltda, de propriedade dos empresários Carlos Eduardo Avalone e Marcelo Avalone, ingressaram na Justiça com pedido de recuperação judicial.

Segundo Jandir Milan o artificio da recuperação judicial, como se tem visto muitas empresas em Mato Grosso recorrendo, é “realmente humilhante para uma empresa”.

Há uma estimativa que diante a atual situação econômica do país ao menos 10 empresas, incluindo do setor industrial, devem ingressar nos próximos seis meses com pedidos de recuperação judicial, comenta o presidente da Fiemt.

“Realmente o governo federal colocou o Brasil em uma enrascada e o Mato Grosso não está diferente. Nós estamos aí com o estado travado e a gente acredita que algo tem de ser feito. Diria que a consequência para o estado travado é o governo federal, que cortou tudo. O federal que não paga o FEX para Mato Grosso. Mato Grosso tem aí mais de R$ 400 milhões em haver com o governo federal e o governo federal não paga a conta. Não paga os empreiteiros de Mato Grosso, que estão fazendo obras em todas as rodovias federais no estado, como a BR-163, e isso realmente é desemprego que está indo no setor da construção civil, tanto na pesada quanto na construção civil normal”, explica Milan.

Estado e incentivos fiscais

Conforme Jandir Milan, o “pente fino” realizado pelo governo Pedro Taques veio em boa hora. “Nós não concordávamos com muitos incentivos que estavam sendo proporcionados para empresas que não fazem a transformação de produtos, empresas comerciais. A gente não concorda com isso e o fato de não estar vindo empresas para Mato Grosso, estar chegando empresas novas (industriais), é o motivo que os outros estados possuem mais incentivos que nós”.

Milan destaca que os incentivos criados há 10 anos não atende mais Mato Grosso, ” porque nós temos os nossos estados concorrentes que são Goiás, Mato Grosso do Sul, o próprio Tocantins e o Nordeste que possuem incentivos melhores que os nossos e aí a empresa quando faz o seu plano de negócios ela visa lucro e se nosso incentivo não for bom a empresa não consegue produtos que deveria ter e isso desvia para outras regiões”.

Em entrevista ao Agro Olhar, o presidente da Fiemt revela que o setor já conhece o “novo” projeto de Lei de incentivos fiscais. Ele revela, ainda, que técnicos da federação auxiliaram na elaboração deste novo incentivo. “Eu diria que é uma revolução muito grande o que Mato Grosso irá fazer no incentivo fiscal. Tão logo seja publicado, aprovado na Assembleia Legislativa, Mato Grosso terá uma arma para trazer empresários”.

Um grande incentivo, aponta o presidente da Fiemt, que pode auxiliar na atração de novas indústrias é a redução do ICMS da energia elétrica e do combustível, no caso do óleo diesel.

“Atrairia muitas indústrias se tivesse redução e viabilizaria as que estão aqui. O custo da energia é um empecilho muito alto para o estado. Hoje, só perdemos em custo para o custo do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Hoje, está ao redor de R$ 630 o megawatt/hora de energia. Isso é um absurdo a nível nacional e internacional. Teríamos que fazer alguma coisa para reduzir essa energia, porque uma indústria trabalha com margem de 3% a 4% e esse percentual de margem está ficando no custo da energia”, frisa Milan.

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