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MT: Desenho encontrado por professora revela angústia, desespero e medo de jovem que teria sido abusada pelo pai advogado

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“Deixa o papai pegar aqui”. “Como você é bonita”. “Senta aqui”. Essas são algumas frases escritas em um desenho feito por uma estudante de 14 anos que ao longo dos últimos cinco teria sido molestada pelo pai biológico, o advogado U.C.R., de 46 anos, que está preso desde 29 de junho em Cuiabá, em razão das suspeitas.

O desenho ao qual o Olhar Direto obteve com exclusividade foi confeccionado em uma folha de caderno e foi encontrado pela professora da menina. A criança, desatenta às atividades escolares e de cabeça baixa, despertou a atenção da professora em sala de aula que pouco tempo descobriu o que ela fazia: imagens na última folha de um caderno, e que traziam à tona uma série de denúncias sobre abusos sexuais. A educadora fotografou o papel e encaminhou para a mãe da criança.

Nas várias imagens retratadas em uma única folha, a menina revela ainda que sente-se indefesa. “Como ficar em [uma seta indica pouco abaixo a palavra silêncio] quando dentro de mim tudo está gritando (SIC)?”, ela indaga ao lado ela escreve em letras garrafais: “Morta” e “Socorro”.

‘Nojo’, ‘cansada’, ‘usada’, ‘silêncio’, ‘desconfiada’, ‘pesadelos’, ‘atormentada’.  As palavras de desabafo e desespero circundam a folha de papel, assim com vários desenhos sempre de duas pessoas: um homem e uma menina. Por diversas vezes, no rosto feminino fica evidente a imposição do silêncio, já que a boca aparece vedada por rabiscos.

Em outra figura, uma boneca retrata uma criança tomando banho é observada por outro personagem. A imagem é acompanhada da seguinte frase: “Como você é bonita, filha”. Em outra cena aparece um homem sentado e uma menina no seu colo.  Ao lado, mais uma vez, um pedido: “senta aqui”.  O terceiro desenho mostra uma garota deitada em um cama, seguida da frase “não consigo gritar”.  Ainda há outra imagem em que o homem do desenho toca na genitália de uma criança.

A mãe da menina, que é advogada em Cuiabá, denunciou o caso à polícia após a garota  lhe contar que desde os nove anos sofria abusos. O caso tramita na Delegacia Especializada na Defesa e Direitos da Criança (Deddica) em segredo de Justiça desde o último dia 6, por determinação do desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que negou pedido de liberdade (liminar) ao suspeito.

Depoimento

Nesta manhã (8) o suspeito presta depoimento ao delegado Eduardo Botelho, sobre as denúncias. Na delegacia, a defesa do acusado preferiu não falar com à imprensa antes do início do depoimento.

A atual esposa do advogado, que não divulgou sua identidade, declarou ao Olhar Direto que as denúncias são falsas e que ele deseja falar com a imprensa sobre às acusações. Negou ainda que ele tenha cometido crimes contra sua filha biológica e asseverou a inocêndia dele.

O caso:

Conforme as informações da Polícia Civil, a menina – que tem 14 anos agora – era abusada desde os nove. Percebendo que a menina tinha pavor de homens, a mãe resolveu investigar o motivo e descobriu, ao ler em uma agenda da vítima, que ela seria abusada pelo próprio pai. A denúncia foi feita e a jovem ouvida pelo delegado.

No primeiro instante, a menina não queria contar sobre o caso. Porém, após conversa com uma psicóloga, ela relatou que quando ia para a casa do pai, aos finais de semana, ele fazia carícias nas partes íntimas e a apalpava. Certa vez, ela estaria no colo do advogado e teria percebido que ele ficou excitado com a situação.

Conforme o delegado, os abusos teriam acontecido mais de 100 vezes nestes cinco anos. Foi revelado ainda que não houve conjunção carnal.

Desenho encontrado por professora revela angústia, desespero e medo de jovem que teria sido abusada pelo pai advogado

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