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MT: Polícia suspeita que ex-delegado geral vazou operação para Nadaf

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Um relatório realizado em aparelho telefônico do ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf, levantou a suspeita de que o ex-diretor-geral da Policia Judiciaria Civil de Mato Grosso (PJC-MT), Anderson Aparecido dos Anjos Garcia, teria “vazado” a informação sobre a deflagração da Operação Sodoma, na qual o ex-gestor foi preso.

A suspeita surgiu após a descoberta de suposta conversa entre Nadaf e um perfil identificado como “Anderson-PC”, no aplicativo Wathsapp, no dia 14 de setembro, um dia antes da deflagração da operação.

O relatório de extração foi elaborado pela Delegacia Fazendária (Defaz) e anexado à ação penal na Vara de Combate ao Crime Organizado da Capital, pelo responsável pela investigação, o delegado Lindomar Aparecido Toffoli.

Nadaf está preso desde o dia 15 de setembro do ano passado, no Centro de Custódia da Capital.

Conforme o relatório, pelo aplicativo de mensagens Anderson Garcia marcou um encontro com Nadaf na sede da Academia de Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (Acadepol).

De acordo o delegado da Defaz, Nadaf teria confirmado que compareceria ao local marcado. No entanto, com o aparelho celular desligado.

“Frise-se que na conversa Pedro Nadaf diz para Anderson que: “vou inclusive com este desligado”, ou seja, informando que desligaria seu aparelho celular, pois o aparelho desligado não é possível identificar a localização através das erb’s, mostrando que ele não queria que tal encontro fosse descoberto”, diz trecho do relatório.

Além disso, de acordo com Toffoli, a conversa foi excluída do aparelho celular de Nadaf, revelando assim a intenção de manter o diálogo às escondidas.

O relatório ainda declara que Anderson Garcia foi nomeado como delegado-geral da PJC, em 2012, pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB), também preso na Operação Sodoma.

Além de Nadaf e Silval, o ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi também está preso no Centro de Custódia. Todos eles são réus da ação penal sob responsabilidade da juíza Selma Arruda, da Vara de Combate ao Crime Organizado da Capital.

A ação penal derivada da Sodoma também tem como réus: Francisco Andrade de Lima Filho, o “Chico Lima”, procurador aposentado do Estado; Sílvio Cézar Corrêa Araújo, ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa; e Karla Cecília de Oliveira Cintra, ex-secretária de Nadaf na Fecomércio.

Conversa com ex-mulher

O relatório da Defaz ainda mostra uma conversa entre Nadaf e sua ex-esposa, Geiziane Rodrigues Antelo, por meio do Wathsapp.

As investigações da delegacia, que apontaram que cheques emitidos pelo empresário e delator do esquema, João Batista Rosa, através da empresa Tractor Parts, foram depositados na conta pessoal da psicóloga.

No dia 11 de setembro o ex-secretário teria enviado uma mensagem a Geiziane dizendo que estava “acabado” e que seu advogado teria lhe orientado a viajar para Chapada dos Guimarães (65 km da Capital).

“Independente, meu adv é muito bom (..)O cara me deu segurança, mas quer que eu durma na Chapada”, disse.

Em resposta, Geiziane teria dito que estava muito preocupada com o que poderia acontecer  e que venderia “tudo que precisasse” para ajudar o ex-esposo.

No mesmo dia, Nadaf teria orientado Geiziane a não desistir de uma viagem marcada para Nova York (EUA).

De acordo com o relatório da Defaz, a conversa também foi apagada do aparelho celular.

No dia 5 de fevereiro deste ano, Geiziane em depoimento à juíza Selma Arruda, afirmou que não lembrava desta conversa e que não sabe o motivo pelo qual o advogado de Nadaf teria dado tal orientação.

Sobre a viagem a Nova York, a ex-mulher de Nadaf afirmou que acabou desistindo de sair do país devido a deflagração da operação.

Outra conversa entre Nadaf e Geiziane foi realizada no mesmo dia em que o ex-secretário manteve a conversa com Anderson Garcia, em 14 de setembro.

Na conversa, via Wathsapp, o ex-secretário diz que estava “muito mal” e que “seria duro”, mas que “iria superar”, o que, segundo Toffoli, reforça a suspeita de que Nadaf já sabia da operação e que algo iria acontecer com ele.

A denúncia

Na denúncia, Nadaf é acusado de ter exigido do empresário João Batista Rosa (delator do esquema) a renúncia de um crédito de R$ 2,5 milhões em favor do grupo, além de ter exigido propinas mensais para manter as três empresas do delator em programa que concedia benefícios fiscais.

Segundo a promotora Ana Bardusco, o ex-secretário utilizava de sua condição de presidente da Federação do Comércio de Mato Grosso (Fecomércio) para manter relações estreitas e ganhar a confiança do empresariado mato-grossense, o que era de interesse da organização.

A promotora destacou que, de 2011 a 2014, boa parte dos 246 cheques pagos pelo delator João Batista a título de propina foi entregue pessoalmente a Nadaf, na sede da Fecomércio.

De acordo com a denúncia, o término da gestão Silval Barbosa não impediu Nadaf de dar prosseguimento ao esquema, sendo que apenas mudou o local de onde operava os alegados crimes.

“Necessário reconhecer que ao deixar a administração pública a organização criminosa transferiu o seu “balcão de negócios” da sede do governo estadual para a sede da Fecomércio, fato que fica evidenciado nas reuniões realizadas naquele ambiente pela organização criminosa, como ilustram os contatos com o empresário João Rosa, que constantemente era convidado a se reunir com Pedro Nadaf e Marcel Cursi naquela sede”, disse Ana Bardusco.

Outra prova do “uso criminoso do espaço físico da Fecomércio” é o fato de a diretora financeira da federação, Karla Cintra, ser considerada o “braço direito” de Nadaf e, em tese, ter colaborado para a lavagem do dinheiro recebido de propina.

“Veja, desse modo, que além de ser responsável por controlar os pagamentos da propina realizada por intermédio da NBC [empresa da qual era sócia], tinha tarefa similar em relação aos cheques diretamente recebidos por Pedro Nadaf. A integração de ações e vontades ente ela e Pedro Nadaf é inquestionável e, foi por intermédio dele, que aderiu a organização criminosa”, afirmou a promotora.

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