Polícia Civil cumpre 33 mandados contra servidores públicos e despachantes de veículos

Polícia Civil cumpre 33 mandados contra servidores públicos e despachantes de veículos

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Quatro servidores do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT) estão entre os presos da Operação Hidra, desencadeada nesta quinta-feira (10) para colocar fim a um esquema de cobrança de propina no órgão.

Conforme a Polícia Civil, o esquema contaria ainda com a participação de um servidor da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) e despachantes credenciados pelo Governo do Estado.

Ao todo, dois grupos foram desarticulados. Conforme a Polícia Civil, um agia dentro da Ciretran de Várzea Grande e o outro em Nossa Senhora do Livramento (42 km ao Sul de Cuiabá).

De acordo com as informações do delegado Marcelo Martins, as investigações começaram há uma no, quando chegaram denúncias de que os grupos estavam agindo com a ajuda de servidores.

“A princípio, a investigação começou com foco em vistorias envolvendo carros roubados ou furtados. Mas, no decorrer, entendemos que a fraude ocorria com a liberação de veículos irregulares, ou seja, com características que não são permitidas dentro da legislação de trânsito”, explicou o delegado.

Em Livramento, o esquema, segundo os investigadores, era comandado por Clair Corrêa, despachante credenciado pelo Detran. Os policiais dizem que ele contava com a ajuda do servidor do órgão Marcos André Rufino Borges e de Jucelino dos Santos Enoré, servidor da Semob, que atua no setor de multas.

Também são acusados: Thamyres Regina da Silva (filha de Clair), Thawane Custódio (funcionária da empresa e responsável em pagar o servidor Marcos André) e João Batista da Silva (responsável por facilitar o esquema dentro da Semob com a ajuda de Jucelino).

Segundo delegado, em um dia de vigilância no município, os policiais observaram de 12 a 13 veículos sendo vistoriados no esquema, que consistia no pagamento de R$ 50 a R$ 100 de propina, dependendo da irregularidade do carro.

Já o grupo de Várzea Grande tinha o mesmo modus operandi, ou seja, servidores cobravam propina para agilizar a vistoria.

Lá, conforme o delegado, o esquema seria comandado pelo despachante Fábio Antônio Pinto e contava com a ajuda dos servidores Samira Aparecida de Barros, Marcio Cleber Duenha e Benedito Xavier da Mata.

Também faziam parte Cleyton Rafael Pinto (sócio de Fábio), Matheus Alves da Rocha e Marluce Antônia Pinto.

“Rua dos esquemas”

O delegado comentou ainda que o serviço de vistoria em Livramento normalmente é feito na rua em frente ao órgão. No entanto, na rua lateral ocorriam os esquemas.

“A situação era tão conhecida que o pessoal já sabia que os carros que estavam na rua lateral participavam das fraudes”, disse Marcelo.

Ao todo, 15 pessoas foram presas de forma preventiva e vão responder por formação de quadrilha, associação criminosa, falsidade ideológica e corrupção ativa e passiva.

O delegado Luiz Henrique Damasceno, responsável pela inteligência da Delegacia Regional, explicou que a operação busca restabelecer a prestação do serviço público de qualidade.

“Não estamos falando de fraude milionária, estamos falando de uma fraude que atrapalha o dia-a-dia do cidadão que cumpre com o seu papel. Então, o objetivo nem sempre é desarticular uma quadrilha envolvidas em fraudes milionárias, e neste caso, foi pela prestação do serviço público de qualidade”.

Mancha

O presidente do Detran-MT Arnon Osny, contou que a corrupção dentro do órgão não é novidade, mas que ao lado da Segurança Pública, estão lutando para mudar essa realidade.

“Essas operações que estão sendo desencadeadas, em sua grande maioria, são graças as informações prestadas pelos servidores do Detran, que estão preocupados com a situação e isso é muito importante. Eles querem moralizar o órgão”.

Osny lembrou ainda que muito além do ato ilícito em receber propina para liberar veículos irregulares e burlar o cronograma de agendamento das vistorias, os servidores estão contribuindo nos índices de acidentes de trânsito.

“Quando um veículo irregular é aprovado para estar trafegando nas ruas, isso se torna um risco grande a população. Então, os servidores corruptos estavam contribuindo nos índices de acidentes, que podem até acarretar em morte. É uma conduta muito grave”.

“O Detran vai instaurar um Procedimento Administrativo Disciplinas (PAD) contra os quatro servidores investigados e que poderá resultar em suas demissões. Já os despachantes credenciados, eles também serão alvos de um procedimento de cassação para perder a licença”, finalizou.

Veja o organograma dos esquemas:

Fonte: Midia  News

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