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Riva mentiu em confissão e era líder de esquema na ALMT, diz Gaeco

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Os promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) afirmaram que áudios gravados pelo advogado Júlio César Domingues Rodrigues, réu em ação que investiga desvio de R$ 9,4 milhões na Assembleia Legislativa deMato Grosso, apontam que o ex-deputado José Riva era o líder da organização criminosa que desviou dinheiro dos cofres públicos da ALMT. As gravações foram entregues ao Gaeco.

José Riva confessou, em abril deste ano, a participação no esquema montado na ALMT, mas negou que ocupava o cargo de chefe da organização criminosa. Riva ainda se comprometeu a devolver R$ 700 mil aos cofres da Assembleia, valor que ele confessou ter recebido. Esse dinheiro seria apenas uma fração do montante desviado por meio de fraudes a um pagamento de uma dívida que a ALMT tinha com uma instituição financeira desde a década de 1990.

No entanto, de acordo com o Gaeco, Riva teria recebido R$ 4,5 milhões em propina, o que gerou um mal estar com outros supostos membros do grupo, o assessor parlamentar Francisvaldo Mendes Pacheco, preso na quarta-feira (5), e o deputado estadual Romoaldo Júnior (PMDB), que na época em que o esquema foi montado ocupava o cargo de presidente da ALMT. Isso porque, conforme as gravações, eles não teriam recebido a parte que lhes caberia no esquema.

O advogado de Romoaldo Júnior afirmou que o parlamentar, que responde a ação referente ao caso no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, já esclareceu os fatos ao Ministério Público ao ser ouvido e que ele não participou do esquema. O parlamentar, porém, disse que sabia que parte dos valores foi usada para pagar dívidas da Assembleia.

O G1 não conseguiu localizar as defesas de Francisvaldo Pacheco e de Júlio César. Já a defesa de Riva disse que o ex-deputado está colaborando com as investigações.

Gravação
Todo o esquema foi investigado pelo Gaeco e alvo de uma operação denominada Ventríloquo, deflagrada em 2015. Na quarta-feira (5), teve início uma nova fase dessa operação, chamada de “Filhos de Gepeto”, que resultou na prisão de Francisvaldo, que atuava como chefe de gabinete do deputado Romoaldo Júnior.

De acordo com as investigações, o esquema entre os membros da organização foi firmado de forma que Riva ficaria com 45% do montante, Romoaldo com R$ 500 mil e Francisvaldo com 1%. Porém, conforme a gravação feita por Júlio César em conversa com Romoaldo Júnior, depois dos pagamentos feitos a Riva, o deputado e o assessor parlamentar não teriam recebido os valores acordados.

Questionado por Romoaldo sobre a falta de pagamento, Júlio afirma que o alto valor pago a Riva teria acabado com o dinheiro e que não havia sobrado nem mesmo para o pagamento dos honorários dele.

“Nunca mais faço negócio com você, tá? Nunca mais faço negócio com você. Você vai procurar o ‘Zé Riva’ e se acertar com ele. A diferença do meu, tá? Pra mim acabou, tá?”, afirmou o deputado, na gravação.

G1 MT/Foto: Reprodução/TVCA

http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2016/10/riva-mentiu-em-confissao-e-era-lider-de-esquema-na-almt-diz-gaeco.html

 

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